Minha grata surpresa de início de domingo foi assistir na Globo News uma entrevista com o autor de um vasto e inteligente acervo de livros e escritos diversos sobre o estilo de vida, as relações humanas no mundo atual e as transformações provocadas pelas tecnologias (clique na fig. p/ ampliá-la) . O correspondente Silio Boccanera foi até a casa de Zygmunt Bauman, em Leeds, para conversar com um dos sociólogos mais importantes de nosso tempo.
Z. Bauman falou muito sobre o “sistema” que hipotecou o mundo: http://g1.globo.com/platb/globo-news-milenio/2012/01/12/zygmunt-bauman-e-a-crise-do-sistema-que-hipotecou-o-futuro/ . Em seu livro “Modernidade Líquida“ complementa e conclui a análise realizada em “Globalização: as Conseqüências Humanas” e “Em Busca da Política”. Juntos, esses 3 volumes formam uma análise brilhante das condições combinantes da vida social e política na sociedade moderna. Neste livro, Bauman analisa cinco conceitos que organizam a vida humana: emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade. Ele traça o cenário da mudança desses conceitos na assim chamada pós-modernidade. E discute muita coisa que a gente percebe por aí, mas as vezes nem pára para pensar.
Já no seu outro livro “Amor Líquido” investiga de que forma nossas relações tornam-se cada vez mais “flexíveis”, gerando níveis de insegurança sempre maiores. Com sua usual percepção fina e apurada, Bauman busca esclarecer, registrar e apreender de que forma o homem sem vínculos se conecta. No livro “A Arte da Vida” ele lança o questionamento: O que há de errado com a felicidade? A pergunta pode desconcertar – e é essa a intenção de Zygmunt Bauman; ele reflete sobre os parâmetros que norteiam nossa busca pela felicidade – busca que, muitos concordarão, preenche a maior parte de nossas vidas - http://www.klepsidra.net/klepsidra23/modernidade.htm .
Num de seus últimos livros “44 cartas do mundo líquido moderno” ele cita que nos dias de hoje, somos bombardeados por informações de todos os lados. Como separar o que é importante e significativo do que é supérfluo e descartável? Essa foi sua intenção quando convidado pela revista italiana La Repubblica delle Donne – publicação de caráter cultural dirigida sobretudo ao público feminino – a escrever cartas comentando aspectos do que o sociólogo chama de “mundo líquido moderno”. Foram dois anos (de 2008 a 2009) em que Bauman escreveu quinzenalmente para os leitores italianos sobre temas como iPod; Twitter; Facebook; Barack Obama; cartões de crédito e gripe suína. Esse livro apresenta uma seleção de 44 desses textos.
Poucos eventos escapam ao olhar atento de Bauman, que apresenta breves e brilhantes análises da vida contemporânea. Surpreende a capacidade do sociólogo em descobrir significados sob atos aparentemente simples – uma chamada ao celular, a exposição de uma foto no Facebook, um outdoor, a lista de gastos do cartão de crédito. Todos esses fatos que parecem casuais e desconectados se unem para reforçar a aflição do homem no mundo líquido: buscar sua identidade. E o sociólogo faz um alerta: apenas unidos poderemos combater os “males sociais”, optar pelo individualismo seria o mesmo que nos preparar para nossa própria biodegradação e reciclagem.














